Tuesday, October 13, 2009

Despedida

Quis, a vida, nos apartar novamente.Por quanto tempo? Não podemos aquilatar… Por mais alguns meses, talvez por mais alguns anos, quiçá por toda a nossa breve existência. Mais uma vez se faz necessário que os nossos corpos e as nossas palavras se mantenham distanciados. É indiferente por quanto tempo isso possa ocorrer, embora o coração padeça e sinta uma abominável saudade, porém, se não nos é permitido, por hora, partilhar aquele sentimento tão invejado por todos aqueles que jamais se permitiram sentir a mesma dádiva que nós, e que, muitos dos quais, por inveja ou maldade, contribuíram para o nosso afastamento, resta-me, aqui e agora, fazer-te um derradeiro pedido.
Certamente ele será desnecessário, porque creio que nos conhecemos um ao outro, muito melhor do que a nós próprios até, uma vez que jamais fomos estranhos, independentemente de quando tempo a vida nos possa ter mantido afastados, e por mais que tenhamos esporadicamente nos revelado o oposto do que somos na realidade, sempre em razão das nossas dores, das nossas frustrações, das nossas mágoas, das nossas feridas, da nossa incompreensão aos actos e palavras despejados por ambos nos momentos em que sangravam os nossos corações. Mas, ainda assim, prossigo com o meu pedido, talvez com o pretexto para mais uma vez abrir o meu coração ante de ti, esperando que me ouças, que me entendas, que compreendas o quanto sinto a tua falta e que estarei sempre aqui para ti, porque mantenho ainda a esperança de que a vida nos proporcionará um novo reencontro para, enfim, ultrapassarmos as nossas diferenças. Assim, rogo-te, do fundo do coração: não permitas que nada, nem ninguém, apague o que de mais bonito existiu entre nós; medica toda e qualquer chaga que porventura ainda esteja aberta, para que não haja dor entre nós; não deixes que qualquer nódoa negra ou cicatriz apague, do teu coração, os momentos que passámos juntos, não esqueças a felicidade que eu te proporcionei, muito menos a felicidade que tu me fizeste sentir; jamais me substituas dentro do teu coração, reservando sempre, para mim, o espaço que me foi concedido um dia por ti; não permitas aos teus pensamentos que a minha lembrança seja denegrida, que eles esqueçam quem eu sou verdadeiramente, o que representei para ti, tampouco o que sempre representarás para mim, o que fomos e sempre seremos um para o outro; não me queiras mal um só momento sequer; não sofras, não procures a dor, não a aceites, não te deixes enganar por sentimentos que nunca poderão assemelhar-se sequer ao verdadeiro amor, e que, jamais estarão próximos de parecer-se com ele, porque ele é único, é insubstituível, é indestrutível.

Lembra-te sempre de mim, de cada vez que sentires o meu perfume em algum lugar, de cada vez que encontrares o meu sabor numa simples pastilha, de cada vez que ouvires uma música que te fale de mim… É incontestável que vivemos momentos que nunca serão esquecidos. Tão incontestável como o tempo parar quando estávamos juntos.

Tão importantes foram os momentos que despendi contigo e por ti que, agora, á distância de uma vida não se assemelham sequer á realidade. Hás-de concordar comigo que jamais acreditamos que algum dia poderíamos permanecer privados um do outro pelo tempo de uma vida. Não, tendo ambos conhecimento da intensidade do sentimento que nos tem afastado e aproximado em diferentes momentos, ainda que sempre pelos mesmos motivos, embora por vezes tenhas pensado que, da minha parte, eles nem sempre fossem assim tão verdadeiros.

Óbvio que, por sermos humanos e termos recebido a graça de nos perdermos e reencontrarmos tantas vezes nesta vida, fomos também aguilhoados com situações menos boas, mas até essas nos permitiram crescer e nos deram oportunidades de nos conhecermos um pouco melhor, explorando vários estados de espírito e humor, extravasando as nossas inseguranças, carências, medos, desconfianças, ciúmes, decepções, frustrações e defeitos, sendo certo, também, que nada disso foi superior à inveja alheia que resultou na questionabilidade dos nossos princípios, da essência das nossas almas e dos nossos corpos. Fomos, em suma, dois seres que se apaixonaram irrevogável e irremediavelmente, como se de uma doença grave e rara se tratasse, para a qual não existe conhecimento de qualquer cura possível, e acabámos por permitir que outros transformassem esse sentimento num imenso nada completamente desprovido de sanidade.
Não temo e menos ainda me envergonho de afirmar qualquer uma das circunstâncias que nos aproximaram ou nos afastaram.

Por fim te peço: Espero que continues sempre a sonhar e a lutar para que um dia consigas a graça de realizar todos os teus sonhos. Não deixes apagar o sorriso dos teus lábios, a ternura da tua voz, a sensibilidade da tua alma, a honestidade das tuas atitudes, a sinceridade que sempre pautou o nosso relacionamento... Mas acredito que certos acontecimentos não são devidos ao acaso. Não creio que tenha sido sem razão que naquela noite que hoje vai já há distância de anos-luz, nos encontramos, e nos deixamos levar por algo que começou com a mesma intensidade com que viria a acabar, por isso acredito também que deve haver alguma razão plausível para que aparentemente tudo tenha conspirado contra esse sentimento. Talvez não tivesse chegado, ainda, o momento das nossas almas encontrarem entre elas o entendimento que lhes permitisse coexistirem... Sei que estaremos sempre juntos dentro dos nossos corações e é uma pena que mais uma vez a vida nos tenha guiado em caminhos opostos. Saberei esperar!

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